sábado, 9 de outubro de 2010

Você conhece os Areais da Ribanceira?

Estive em agosto lá. É um absurdo tirar os agricultores de lá. Saiba mais abaixo...

Fantasma do despejo ronda os Areais da Ribanceira

Por Imbituba Urgênte 06/07/2010 às 09:38
(peguei no http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2010/07/474297.shtml)

Carros da polícia ou de jagunços estão sendo vistos fazendo rondas constantes nos Areais da Ribanceira, terras cultivadas por 100 famílias de uma comunidade tradicional de agricultores que vivem no local há mais de 100 anos e podem ser despejadas a qualquer momento.


Os agricultores são antigos proprietários que já tinham sido despejados na década de 1970, quando o então governo de Santa Catarina decidiu construir um polo petroquímico em Imbituba, que acabou não dando certo.

Muitas das famílias não receberam o dinheiro ou foram indenizadas com valores irrisórios. Com o despejo, acabaram indo morar em submoradias na periferia de Imbituba. Como as terras nos Areais da Ribanceira ficaram ociosas e a cidade é carente de empregos, elas voltaram a produzir em suas antigas propriedades, que já eram ocupadas por seus ancestrais.

Os agricultores são descendentes dos primeiros povos que habitaram Imbituba, miscigenados por açorianos e índios, e são reconhecidos como "comunidade tradicional", o que lhes deveria conferir proteção por lei federal a exemplo dos povos indígenas e quilombolas. A Acordi é a entidade que representa as famílias e trava uma batalha judicial para que os direitos sejam efetivamente reconhecidos. Em Santa Catarina, a Justiça deu ganho de causa a especuladores que vêm comercializando as terras entre si.

Atualmente, a área está sendo reivindicada pela Engesul, de Imbituba, mas vai ser destinada à construção de uma cimenteira da Votorantim. A previsão desta empresa é gerar 280 empregos diretos. O despejo, no entanto, atingirá cerca de 500 pessoas e irá se constituir num atentado aos direitos humanos, à propriedade (de que vem verdadeiramente a cultiva e dela depende) e à cultura catarinense.

As famílias cultivam mais de 20 tipos de mandioca. Na última semana, durante a 7ª Festa da Mandioca, foi inaugurado um moinho da farinha. Além das tradições culturais, elas também mantêm a produção de alimentos típicos, que é fundamental para a identidade de Imbituba, que tem no turismo uma de suas bases econômicas.

A cimenteira da Votorantim é uma indústria altamente poluente. A população de Imbituba viveu experiência similar com a fábrica da ICC, que, além de poluir as praias e as áreas habitadas, foi quem provocou o primeiro despejo nos Areais da Ribanceira na década de 1970. O governo da época investiu pesados recursos em nome do "desenvolvimento". Resultado: os lavradores foram desapropriados, foram morar em submoradias, a ICC faliu, deixando um grande passivo financeiro e ambiental.

Os únicos a lucrar foram (e continuam sendo) os especuladores.

http://imbitubaurgente.blogspot.com

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